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21 de abril de 2026O Reino de Axum, um dos mais fascinantes capítulos da história africana antiga, destaca-se não apenas por suas conquistas comerciais e pela adoção precoce do cristianismo, mas também pela riqueza de evidências numismáticas que revelam reis pouco conhecidos. Moedas antigas, cunhadas em ouro, prata e bronze, preservam nomes de soberanos que, de outra forma, poderiam ter desaparecido nas brumas do tempo. Entre eles, destacam-se Yathlia, Za Ya-Abiyo, La Madhen, Wazena, Ghersem e Hataza — figuras cujos nomes surgem exclusivamente ou principalmente em moedas, oferecendo um vislumbre da fase tardia do império axumita, entre os séculos VI e VII.
Esses reis, muitas vezes obscurecidos por gigantes como Ezana ou Kaleb, representam um período de transição, marcado por desafios econômicos, expansão do cristianismo e declínio gradual do poder axumita. As moedas não são meros objetos; são testemunhos materiais da soberania, da fé e do comércio que conectavam a África ao mundo mediterrâneo e ao Oceano Índico. Neste artigo, exploramos quem foram esses monarcas, o que suas moedas revelam e por que eles são cruciais para entender o legado do Reino de Axum, o elo perdido entre a Antiguidade africana e o mundo medieval.
O Contexto Histórico do Reino de Axum e Sua Moeda
O Reino de Axum floresceu no atual norte da Etiópia e Eritreia, tornando-se uma potência comercial entre os séculos I e VII d.C. Controlava rotas que ligavam o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, Índia e Arábia, exportando marfim, ouro, incenso e escravos. Para facilitar esse comércio internacional, os axumitas adotaram a cunhagem de moedas a partir do final do século III, inspirados nos modelos romanos e bizantinos.
As moedas axumitas são únicas na África subsaariana antiga por serem produzidas em grande escala e com inscrições em grego e ge’ez. Inicialmente, usavam grego para atrair mercadores estrangeiros, mas gradualmente incorporaram ge’ez, refletindo uma identidade cultural mais assertiva. Após a conversão ao cristianismo no século IV, sob Ezana, cruzes e mensagens cristãs passaram a dominar os reversos.
Para saber mais sobre o Reino de Axum em si, confira o artigo o reino de axum o elo perdido, que detalha sua ascensão e conexões globais. E se você se interessa por comércio antigo, leia também as conquistas maritimas do reino de axum e reino de aksum a influencia do comercio.
Za Ya-Abiyo La Madhen: O Rei que Exaltava o Salvador
Um dos mais intrigantes é Za Ya-Abiyo La Madhen (ou Za-ya’abiyo la-Madhen), que reinou por volta de 520–550 d.C. Suas moedas de prata, encontradas até em Aden (Iêmen), mostram o rei com coroa dourada no anverso e uma cruz incrustada em ouro no reverso, sob um arco. A inscrição em ge’ez proclama: “O rei que exalta o Salvador” — um testemunho claro da profunda cristianização do reino nessa época.
Essas moedas refletem um período de estabilidade relativa, com comércio ativo no Mar Vermelho. Za Ya-Abiyo La Madhen simboliza a fusão entre poder real e fé cristã, comum nos reis tardios. Para contextualizar o cristianismo axumita, veja cristianismo no imperio etiope e o reino de axum comercio e cristianismo.
Wazena: O Rei das Moedas de Bronze com Simbolismo Cruzado
Wazena (ou Ella Gabaz em algumas listas), do meio do século VI, é conhecido quase exclusivamente por suas moedas. Cunhadas em bronze, frequentemente com douramento, exibem o rei com cetro cruzado e símbolos cristãos proeminentes, como cruzes gregas e latinas combinadas. Algumas mostram espigas de trigo no reverso, simbolizando fertilidade e prosperidade agrícola.
Wazena representa a continuidade da tradição numismática em tempos de desafios, possivelmente econômicos. Suas moedas ajudam arqueólogos a datar o declínio gradual do império. Explore mais sobre a sociedade axumita em a civilizacao axumita e sua importancia e os misterios do imperio axumita.
Ghersem: Um Nome Bíblico em Moedas de Bronze
Ghersem (ou Gersem, c. 580 d.C.) evoca o nome bíblico Gershom, filho de Moisés, refletindo a influência do Antigo Testamento no cristianismo etíope. Suas moedas de bronze mostram experimentações iconográficas, como bustos frontais e coroas bizantinas. Algumas são raras e indicam produção limitada, sugerindo contração econômica.
Ghersem ilustra como nomes bíblicos se tornaram comuns entre os reis tardios, reforçando a identidade cristã. Para entender melhor os reis e personalidades, confira reis rainhas e guerreiros personalidades e mulheres poderosas da antiguidade.
Hataza (ou Hethasas/Iathlia): O Último Rei Cunhador?
Hataza (Hethasas ou Iathlia em algumas moedas, c. 590–620 d.C.) é frequentemente considerado um dos últimos reis a cunhar moedas. Suas emissões incluem leptons pequenos e moedas com cruzes elaboradas. Algumas listas o identificam como Yathlia, mostrando variações na transcrição.
Seu reinado marca o crepúsculo da cunhagem axumita, com declínio no comércio e ascensão de rotas muçulmanas. Após ele, o uso de dinar árabe prevaleceu. Saiba mais sobre o declínio em a ascensao e queda do imperio de mali (para comparações) ou imperios africanos antigos gloria.
Yathlia e La Madhen: Variações e Mistérios
Yathlia aparece em algumas moedas como variação de Hataza/Iathlia, enquanto La Madhen é parte do título de Za Ya-Abiyo. Esses nomes destacam a complexidade da filologia ge’ez e como títulos reais (como “La Madhen”, possivelmente “o que exalta”) se entrelaçavam com nomes pessoais.
Esses reis menores revelam um império resiliente, mas em transformação. Para mergulhar nas origens africanas mais profundas, leia sobre a pré-história em africa o berco da humanidade ou primeiras civilizacoes da africa origens.
A Importância das Moedas para a Reconstrução Histórica
Sem inscrições extensas ou crônicas detalhadas, as moedas axumitas são a principal fonte para reis como esses. Elas permitem datar reinados, mapear influências culturais e entender a economia. Arqueólogos usam o volume e estilo das moedas para cronologias, mesmo com 98% de Axum ainda não escavado.
Esses artefatos conectam Axum ao mundo: influências romanas, bizantinas e indianas aparecem nos designs. Para mais sobre mistérios antigos, veja civilizacoes perdidas misterios e misterios da civilizacao axumita.
Perguntas Frequentes
Quem foram os reis axumitas mencionados apenas em moedas?
Yathlia, Za Ya-Abiyo La Madhen, Wazena, Ghersem e Hataza são conhecidos principalmente por moedas, sem corroboração em inscrições ou textos externos.
Por que as moedas axumitas são importantes?
Elas fornecem nomes de reis, provam a adoção do cristianismo e datam o comércio internacional.
Qual o período desses reis?
Principalmente séculos VI-VII, fase tardia do império.
O que as inscrições nas moedas dizem?
Mensagens cristãs como “O rei que exalta o Salvador” ou “Que haja alegria ao povo”.
Axum cunhou moedas após esses reis?
A cunhagem declinou; dinar árabe substituiu.
Esses reis — Yathlia, Za Ya-Abiyo, La Madhen, Wazena, Ghersem e Hataza — mostram que a história africana é rica em detalhes escondidos em artefatos como moedas. Eles nos lembram que Axum não foi apenas um império de ouro e marfim, mas de fé, inovação e conexões globais.
Gostou deste mergulho no passado axumita? Continue explorando o site para mais sobre civilizações africanas. Confira também a africa que transformou o mundo ou berco da humanidade e de civilizacoes.
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