A deusa Nut, uma das figuras mais icônicas e poéticas da mitologia do Antigo Egito, representa o vasto céu estrelado que cobre e protege a terra. Imaginem uma mulher nua, arqueada sobre o mundo, o corpo salpicado de estrelas brilhantes, engolindo o sol ao entardecer e dando-o à luz novamente ao amanhecer. Essa imagem não é apenas artística — é o coração de uma crença profunda sobre o ciclo da vida, da morte e do renascimento. Nut era adorada como uma força divina maternal, guardiã do cosmos e protetora dos mortos, refletindo a visão egípcia de um universo ordenado e eterno.

No contexto da história africana antiga, o culto a Nut remonta às origens da civilização no Vale do Nilo, parte integral das civilizações africanas que revolucionaram o mundo com sua cosmologia sofisticada. Ela faz parte da Enéade de Heliópolis, um dos centros religiosos mais antigos, ligado à arquitetura e inovação no Egito antigo. Explorar Nut é mergulhar nas raízes espirituais da África antiga, onde o céu não era apenas um fenômeno natural, mas uma deusa viva e nutridora.

Origens Mitológicas de Nut: Filha do Caos Primordial

Nut emerge das águas primordiais de Nun, o oceano caótico que precedeu a criação. Ela é filha de Shu (o ar) e Tefnut (a umidade), neta do deus criador Atum ou Rá. Essa linhagem a coloca no centro da cosmogonia heliopolitana, uma das mais influentes na a África antiga: mitos e verdades.

Casada com seu irmão Geb (a terra), Nut formava um par inseparável. Os dois amantes se abraçavam tão intensamente que não havia espaço entre céu e terra. Para permitir a criação da vida, Shu os separou, erguendo Nut acima de Geb. Essa separação explica o espaço onde a humanidade habita, ecoando temas de equilíbrio cósmico vistos em religiões e crenças espirituais africanas antigas.

“Eu sou Nut, e eu venho para que você possa ser envolvido em meus braços… Eu sou sua mãe, e você renascerá através de mim.”

Essa citação de textos funerários ilustra seu papel maternal, similar ao das mulheres poderosas da antiguidade.

O Papel Cósmico de Nut: Engolindo e Dando à Luz o Sol

Um dos mitos mais fascinantes sobre Nut é seu ciclo diário com o sol. Todas as noites, ela engole Rá (o deus sol) ao pôr do nascer, permitindo que ele viaje pelo seu corpo durante a noite — uma jornada pelo Duat, o submundo. Ao amanhecer, Nut o dá à luz renovado, simbolizando o eterno renascimento.

Esse ciclo reflete a observação astronômica dos egípcios, que viam o céu como uma entidade viva. Nut também era associada à Via Láctea, que em algumas representações ilumina seus braços ou torso, conectando-a a fenômenos celestes observados desde a pré-história africana.

Em variações, Nut aparece como uma vaca celestial, carregando o sol nas costas, ou como uma porca que devora seus filhotes (as estrelas) ao amanhecer e os regenera à noite. Esses símbolos reforçam sua dualidade: destruição e criação, morte e vida.

A Maternidade Divina: Os Filhos de Nut e Geb

Apesar da maldição de Rá, que proibiu Nut de dar à luz em qualquer dia do ano oficial (de 360 dias), a deusa contornou o obstáculo com ajuda de Thoth. O deus da sabedoria criou cinco dias epagômenos, permitindo o nascimento de:

  • Osíris → deus da ressurreição e fertilidade.
  • Ísis → deusa da magia e maternidade.
  • Set → deus do caos e desertos.
  • Néftis → deusa da proteção e luto.
  • Em algumas versões, Hórus, o elder.

Esses filhos formam o núcleo de muitos mitos egípcios, como a luta entre Osíris e Set, que ecoa em narrativas de histórias de conquista na antiguidade. Nut, como mãe protetora, intercede por eles, destacando o tema da maternidade divina presente em o papel da mulher na sociedade antiga.

Representações Artísticas: Nut nos Templos, Túmulos e Sarcófagos

A iconografia de Nut é uma das mais recorrentes na arte egípcia. Ela aparece frequentemente arqueada sobre Geb, com o corpo coberto de estrelas, nos tetos de templos como o de Dendera (dedicado a Hathor, mas com painéis de Nut) e em tumbas do Vale dos Reis.

Nos sarcófagos, Nut é pintada no interior da tampa, abraçando o defunto com seus braços estendidos, prometendo proteção e renascimento. Exemplos famosos incluem o sarcófago de Tutankhamon e muitos outros da arte e arquitetura da antiga Núbia.

Essas imagens não eram decorativas: eram mágicas, garantindo que o morto ascendesse ao céu como as estrelas. Em arte rupestre e artefatos pré-históricos, traços semelhantes sugerem raízes mais antigas na observação celestial africana.

Culto e Adoração: Uma Deusa sem Templos Exclusivos, mas Onipresente

Embora Nut não tivesse grandes templos dedicados unicamente a ela (diferente de Ísis ou Hathor), seu culto era difundido. Ela era venerada em Heliópolis, Memphis e em rituais funerários. Sacerdotisas dançavam em sua honra, e amuletos a representavam como proteção.

Em contextos funerários, hinos do Livro dos Mortos invocavam Nut para guiar a alma. Seu culto enfatizava a práticas religiosas e crenças do Egito, influenciando reinos vizinhos como o de Kush.

Hoje, você pode explorar mais sobre essas práticas em conteúdos detalhados como a religião e mitologia dos egípcios.

Simbolismo Profundo: Proteção, Renascimento e Ordem Cósmica

Nut simboliza a barreira entre o caos (as águas de Nun) e a ordem (maat). Seu corpo protege a terra de inundações primordiais, um tema ligado ao Nilo e à agricultura e produção de alimentos no antigo Egito.

Como deusa da ressurreição, ela acolhe os mortos, permitindo que renasçam como estrelas — uma crença que influenciou as práticas funerárias e após a morte.

Em uma visão mais ampla, Nut representa a feminilidade divina na influência cultural da África antiga, contrastando com deuses masculinos do céu em outras culturas.

Nut na História Africana Mais Ampla: Conexões com Outras Civilizações

O culto a Nut se entrelaça com o do Reino de Kush, onde deusas celestes semelhantes eram adoradas. Sua influência se estende a impérios africanos antigos de glória, mostrando como o Egito moldou visões espirituais continentais.

Comparações com deusas como Aditi (hindu) ou até ecos em mitos africanos subsequentes destacam temas universais, mas enraizados na África: o berço da criatividade humana.

Para aprofundar nessas conexões, confira a influência das civilizações africanas.

Legado de Nut: Da Antiguidade ao Mundo Moderno

Nut sobreviveu a mudanças religiosas, aparecendo em templos ptolomaicos e influenciando o cristianismo copta. Hoje, ela inspira arte, literatura e estudos sobre ciência e inovação africanas.

Seu simbolismo de proteção maternal ressoa em discussões sobre mulheres na sociedade africana.

Perguntas Frequentes sobre Nut

Quem eram os pais de Nut?

Nut era filha de Shu (ar) e Tefnut (umidade), parte da criação primordial. Saiba mais em o antigo Egito: fatos e curiosidades.

Por que Nut engole o sol todas as noites?

Isso representa o ciclo diário: morte ao entardecer e renascimento ao amanhecer, simbolizando eternidade.

Nut tinha templos dedicados?

Não exclusivamente, mas era representada em muitos, como Dendera e Edfu. Explore os grandes construtores: arquitetura.

Qual o papel de Nut no afterlife?

Ela protegia os mortos, abraçando-os em sarcófagos para guiá-los ao renascimento celestial.

Nut é relacionada à Via Láctea?

Estudos sugerem que sim, com a galáxia iluminando suas representações em certas épocas do ano.

Se você se encantou com Nut e quer mergulhar mais na história africana antiga, explore artigos como a religião dos povos da África ocidental ou civilizações perdidas: mistérios. Para atualizações diárias, siga-nos no YouTube em https://www.youtube.com/@africanahistoria, no canal do WhatsApp aqui, Instagram @africanahistoria e Facebook africanahistoria. Compartilhe suas reflexões nos comentários — o céu de Nut nos conecta a todos!